Insônia primária e secundária

Se você tem dificuldade para dormir, pode ser por uma outra condição médica

O que causa a insônia?

Existem dois tipos de insônia, a primária e a secundária1.

  1. A insônia primária é a insônia que não pode ser atribuída a nenhuma outra condição ambiental (como abuso de drogas ou medicamentos) ou médica, ou seja, quando você tem apenas insônia e nada mais. Estima-se que 10-15% das pessoas com insônia crônica sejam de origem primária2.
  2. A insônia secundária é quando os sintomas da insônia são decorrentes destas outras condições ambientais (por influência de substâncias), mentais (como depressão, ansiedade, entre outras) e outras condições físicas (como diabetes, fibromialgia, etc.). Estima-se que 85-90% das pessoas com insônia crônica sejam de origem secundária2.

Portanto, se você tem insônia, existe uma boa possibilidade de que você tenha alguma outra condição. Entender que esta outra condição existe e como ela pode estar te afetando são fundamentais para seu programa de melhoria da insônia.

Condições mentais3456

Infelizmente ainda existe pouca conscientização e até preconceito na nossa sociedade atual sobre as condições mentais abaixo. Tais condições são doenças, então não há vergonha nenhuma em buscar ajuda se houver suspeita de alguma delas.

Ansiedade geral

O transtorno de ansiedade generalizada é caracterizado por sentimentos persistentes de preocupação, apreensão ou desconforto. Esses sentimentos são decorrentes de sensações exageradas frente aos problemas enfrentados pela pessoa.

Apesar de ser um sentimento comum em adultos, o diagnóstico de ansiedade decorre da pessoa experimentar essas preocupações excessivas com muita frequência por um período de seis meses ou mais.

Depressão

Estima-se que 90% das pessoas com depressão grave também tenham problemas com o sono.

Mulher deitada sobre a cama com cara de preocupada

É importante saber que os sintomas de depressão (como baixa energia, perda de interesse ou motivação, sentimentos de tristeza ou falta de esperança) e insônia podem estar ligados e um pode piorar o outro (ver modelo esquemático abaixo).

Estudos de laboratório mostraram que pessoas deprimidas passam menos tempo em sono de ondas lentas e podem entrar no sono REM mais rapidamente no início da noite.

Se você tiver pensamentos suicidas, entre em contato com um profissional para obter ajuda. O CVV (Centro de Valorização da Vida) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias. Para informações sobre o atendimento, ligar para 188.

Transtorno bipolar

O transtorno bipolar é caracterizado pela alternância entre períodos de depressão e períodos de ânimo intenso (mania). Neste transtorno a perda de sono pode exacerbar ou induzir sintomas maníacos ou aliviar temporariamente a depressão. Durante um episódio maníaco, uma pessoa pode não dormir durante vários dias. Tais ocorrências são frequentemente seguidas por um "acidente" durante o qual a pessoa passa a maior parte dos próximos dias na cama.

Esquizofrenia

A esquizofrenia é caracterizada por pensamentos ou experiências que parecem estar fora de da realidade. Algumas pessoas com esquizofrenia dormem muito pouco no estágio inicial mais grave de um episódio. Entre os episódios, é provável que seus padrões de sono melhorem, embora muitas pessoas com esquizofrenia raramente obtenham uma quantidade normal de sono profundo.

Demência (Alzheimer)

A demência se caracteriza pela perda da função cerebral, por exemplo perda da memória. A doença de Alzheimer e outras formas de demência podem prejudicar a regulação do sono e outras funções cerebrais. Algumas pessoas com demência também possuem a síndrome do pôr do sol. Ao contrário do que faz a maioria das pessoas, portadores dessa síndrome tendem a ficar agitados ao entardecer, o que impacta diretamente o sono.

Ao mesmo tempo que Alzheimer piora o sono, a forma de prevenir a doença é dormindo bem! Isso porque durante o sono existe a atuação do sistema glinfático que "limpa" o cérebro7.

Epilepsia

Pessoas com epilepsia - uma condição na qual uma pessoa é propensa a convulsões - têm duas vezes mais chances de sofrer de insônia. Os distúrbios das ondas cerebrais que causam convulsões também podem causar déficits no sono de ondas lentas ou no sono REM.

Cerca de uma em cada quatro pessoas com epilepsia tem convulsões que ocorrem principalmente à noite, causando sono perturbado e sonolência diurna. A privação do sono também pode desencadear convulsões.

Mal de Parkinson

Pessoas com Parkinson tem tremores e dificuldades para se locomover. Quase todas as pessoas com essa doença têm insônia. Algumas excitações são causadas pelos tremores e movimentos causados ​​pela doença, e outros parecem resultar da própria doença em si. Como resultado, a sonolência diurna é comum.

Condições físicas8 9

Diabetes

A diabetes é uma doença crônica comum causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, que regula a glicose no sangue.

Pessoas com diabetes cujos níveis de açúcar no sangue não são bem controlados podem ter problemas de sono devido a uma necessidade frequente de urinar, suar demasiadamente de noite, ou sintomas de hipoglicemia (baixo nível de açúcar no sangue).

Refluxo

O refluxo é uma doença em que o ácido do estômago consegue voltar pelo esôfago causando aquela sensação de queimação no peito ou garganta. Deitar na cama geralmente piora o refluxo porque facilita essa volta mencionada.

Como visto anteriormente, uma forma de evitar esse problema é evitar alimentos pesados ​​ou gordurosos à noite.

Outra forma de evitar o refluxo é elevar a parte superior do corpo, com algum suporte de baixo do colchão em sua parte superior.

Casal deitado sobre uma cama levemente inclinada

Apneia obstrutiva do sono

A apneia é caracterizada por uma interrupção respiratória durante o sono prevalente em homens. Devido a falta de ar, existem diversos despertares, muitas vezes não percebidos pela pessoa, mas que resultam em um sono fragmentado, e pouco restaurador.

Por este motivo, pessoas que sofrem de apneia podem dormir durante diversas horas e ainda assim se sentirem cansadas ao levantar da cama.

Distúrbios músculo-esqueléticos

As principais condições músculo-esqueléticas que atrapalham o sono são a artrite e a fibromialgia.

A artrite é uma inflamação de uma ou mais articulações, causando dor e rigidez. Ela pode dificultar o sono quando o portador da artrite muda de posição que provoca dores e inchaços nas articulações durante a noite.

A fibromialgia é uma condição na qual a pessoa sente dores por todo o corpo durante longos períodos. É comum que pessoas com essa condição reportem acordar cansadas e tão rígidas e doloridas quanto uma pessoa com artrite.

Pesquisadores que analisaram o sono de pacientes com fibromialgia descobriram que pelo menos metade tem sono profundo anormal, no qual ondas lentas do cérebro são misturadas com ondas geralmente associadas a um estado de vigília relaxado.

Noctúria

A noctúria é a necessidade de uma pessoa se levantar durante a noite várias vezes para esvaziar a bexiga, interrompendo assim o sono.

Essa condição ocorre principalmente em pessoas mais velhas, sendo que em casos leves faz com que uma pessoa acorde pelo menos duas vezes durante a noite, e em casos graves uma pessoa pode levantar-se cinco ou seis vezes.

Condições ambientais 10

Para mais informações de substâncias que podem interferir no seu sono, verificar diretamente nos posts:

O outro ciclo vicioso

Aqui no vigilantes já falamos que a insônia é o resultado de um ciclo vicioso onde existem pensamentos que causam emoções negativas, que fazem você se comportar de maneira inadequada, o que por sua vez só reforça aquele pensamento negativo inicial.

Ciclo de pensamentos negativos -> emoções negativas -> comportamentos negativos

O mesmo pode ocorrer para a relação da insônia com outra possível condição médica que você tenha, sobretudo com os casos de depressão e ansiedade.

Ciclo "outra condição <-> insônia"

Neste cenário a insônia pode piorar outra condição, que por sua vez pode piorar a insônia.

Muitos médicos ainda assumem uma postura de tratar apenas a condição primária, esperando que a insônia seja resolvida assim que a condição primária deixar de existir, porém, de acordo com Michelle Drerup, diretora de medicina comportamental do sono da Cleveland Clinic (um dos maiores hospitais dos Estados Unidos), o ideal é tratar a insônia junto da condição médica primária11, já que em muitos casos, mesmo após a condição crônica inicial (seja ela mental ou física) ter sido melhorada, a insônia permanece.

O que fazer daqui para frente?

Existem evidências que a TCC-i também pode ser benéfica para ajudar a tratar outras condições médicas, como ansiedade e depressão12, mas o foco deste programa está centrado na melhoria da insônia, portanto se você estiver preocupado com alguma dessas outras condições, recomendarmos entrar em contato com um médico especialista para poder tratar a outra condição paralelamente.

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